A intercessão na vida de crentes normais

Sempre ouvi de intercessores que passam horas em oração e jejum e, então, eu ficava com aquele sentimento de desconforto, quase de culpa. E imagino que eu não estou sozinho. O certo é que, salvo poucas exceções, nunca seremos “gigantes” da oração. Somos crentes “normais”.

Não somos esses gigantes, mas amamos a Jesus, a sua Igreja, vibramos quando pecadores aceitam a Jesus e, todos, queremos orar mais. O que podemos fazer para atender a esse desejo de nosso coração, mesmo com as nossas limitações?

Bom, observamos que, mesmo sendo crentes regulares, todos nos derramamos diante do Senhor quando a necessidade bate à porta. “Orem por nós. Orem por nós”, foram as últimas palavras da comissária Betty Ong, momentos antes do voo 11 da American Airlines colidir contra a Torre Norte do World Trade Center, às 8:46 do dia 11 de setembro de 2001. A consciência de necessidade e de urgência é fundamental para nos impulsionar à oração mais intensa. Precisamos nos esforçar para conhecer as reais urgências, nossas, dos outros e do Reino.  Uma imagem mais realista sobre nossa fragilidade e vulnerabilidade nos fará clamar com intensidade, como entendeu o apóstolo Paulo: “Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:24-25).

Podemos nos informar melhor sobre as necessidades dos outros – vizinhos, colegas de trabalho, membros da nossa igreja. Certamente poderíamos fazer algo e iríamos orar por eles. E o que dizer de quase oito bilhões de pessoas que não sabem separar a mão esquerda da direita e que seguem como que para um matadouro. “Se vir o seu irmão pecar, ore ao Senhor” (1 João 5.16).

E o que sabemos sobre as necessidades do Reino? Por exemplo, unidade e santidade da igreja, as pregações do pastor, recursos espirituais para a uma nova igreja, irmãos perseguidos etc.

Estas questões estão, certamente, no coração de Deus e ele quer conversar conosco sobre elas e sobre seus planos de ação. “E busquei dentre eles um homem que estivesse tapando o muro, e estivesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruísse; porém a ninguém achei” (Ezequiel 22:30). Todos queremos, inclusive Deus, conversar com amigos sobre as grandes decisões que estamos para tomar. “Jesus sofria porque sabia exatamente o que estava para acontecer. Então, o Mestre os acordava para orar e os advertia, porque o espírito queria, mas o corpo (esforço) era fraco. Observemos as palavras ‘o espírito queria'” (A boa parte, p. 279). 

Somos filhos de Deus e estamos envolvidos na luta dele. Estamos no tabuleiro da vida e não adianta negar o nosso papel. Até porque, se nada fizermos, ainda assim seremos atacados. Não somos civis a serem protegidos, somos os soldados, somos alvos do inimigo. “Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós” (João 15:20). E, como soldados, temos armas que precisam ser usadas. Estamos conscientes do poder da oração?

Neemias era um crente normal. Ao saber que Jerusalém estava destruída, os muros derrubados e os portais da cidade queimados – eles representavam a glória do Senhor – Neemias buscou a Deus com grande fervor. Coração, eu já tenho; o que eu preciso é fazer com que as informações adequadas cheguem à minha mente.

Podemos, finalmente, investir em disciplinas espirituais. Elas são gatilhos de proteção contra as fraquezas naturais. Um plano de leitura da Bíblia, bons hábitos de oração (Daniel orava três vezes ao dia), rotina devocional familiar, “a sós com Deus”, recolher pedidos de oração,  regularidade nos cultos públicos, participação num Pequeno Grupo e um diário de oração podem ajudar a atender o que deseja o nosso coração: uma vida de oração mais intensa. Possivelmente, o “estar juntos” com outros intercessores seja o fator que mais nos estimula à oração. “[…] levantaram juntos a voz a Deus” (Atos 4:24). “Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus” (Mateus 18:19).

Mesmo sendo crentes regulares, podemos fazer melhor. “E em meio a toda essa imensa apostasia, Deus levantou um homem; não uma comissão, nem uma nova denominação, nem um anjo, mas um homem, com sentimentos semelhantes aos nossos. Deus procurou entre eles um homem, não para pregar, mas para se colocar na brecha. E, como Abraão fizera antes, agora Elias estava na presença do Senhor. O resultado foi que tempos depois o Espírito Santo pôde escrever a história dele com apenas duas palavras: ‘E orou’. Isso é tudo que uma pessoa pode fazer para Deus e para a humanidade. Se a igreja hoje contasse com tantos intercessores quantos são seus conselheiros, teríamos um avivamento dentro de um ano.” (Porque tarda o avivamento. Leonard Ravenhill).

Juracy Carlos Bahia

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