A intercessão na vida de crentes normais

Sempre ouvi de intercessores que passam horas em oração e jejum e, então, eu ficava com aquele sentimento de desconforto, quase de culpa. E imagino que eu não estou sozinho. O certo é que, salvo poucas exceções, nunca seremos “gigantes” da oração. Somos crentes “normais”.

Não somos esses gigantes, mas amamos a Jesus, a sua Igreja, vibramos quando pecadores aceitam a Jesus e, todos, queremos orar mais. O que podemos fazer para atender a esse desejo de nosso coração, mesmo com as nossas limitações?

Bom, observamos que, mesmo sendo crentes regulares, todos nos derramamos diante do Senhor quando a necessidade bate à porta. “Orem por nós. Orem por nós”, foram as últimas palavras da comissária Betty Ong, momentos antes do voo 11 da American Airlines colidir contra a Torre Norte do World Trade Center, às 8:46 do dia 11 de setembro de 2001. A consciência de necessidade e de urgência é fundamental para nos impulsionar à oração mais intensa. Precisamos nos esforçar para conhecer as reais urgências, nossas, dos outros e do Reino.  Uma imagem mais realista sobre nossa fragilidade e vulnerabilidade nos fará clamar com intensidade, como entendeu o apóstolo Paulo: “Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:24-25).

Podemos nos informar melhor sobre as necessidades dos outros – vizinhos, colegas de trabalho, membros da nossa igreja. Certamente poderíamos fazer algo e iríamos orar por eles. E o que dizer de quase oito bilhões de pessoas que não sabem separar a mão esquerda da direita e que seguem como que para um matadouro. “Se vir o seu irmão pecar, ore ao Senhor” (1 João 5.16).

E o que sabemos sobre as necessidades do Reino? Por exemplo, unidade e santidade da igreja, as pregações do pastor, recursos espirituais para a uma nova igreja, irmãos perseguidos etc.

Estas questões estão, certamente, no coração de Deus e ele quer conversar conosco sobre elas e sobre seus planos de ação. “E busquei dentre eles um homem que estivesse tapando o muro, e estivesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruísse; porém a ninguém achei” (Ezequiel 22:30). Todos queremos, inclusive Deus, conversar com amigos sobre as grandes decisões que estamos para tomar. “Jesus sofria porque sabia exatamente o que estava para acontecer. Então, o Mestre os acordava para orar e os advertia, porque o espírito queria, mas o corpo (esforço) era fraco. Observemos as palavras ‘o espírito queria'” (A boa parte, p. 279). 

Somos filhos de Deus e estamos envolvidos na luta dele. Estamos no tabuleiro da vida e não adianta negar o nosso papel. Até porque, se nada fizermos, ainda assim seremos atacados. Não somos civis a serem protegidos, somos os soldados, somos alvos do inimigo. “Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós” (João 15:20). E, como soldados, temos armas que precisam ser usadas. Estamos conscientes do poder da oração?

Neemias era um crente normal. Ao saber que Jerusalém estava destruída, os muros derrubados e os portais da cidade queimados – eles representavam a glória do Senhor – Neemias buscou a Deus com grande fervor. Coração, eu já tenho; o que eu preciso é fazer com que as informações adequadas cheguem à minha mente.

Podemos, finalmente, investir em disciplinas espirituais. Elas são gatilhos de proteção contra as fraquezas naturais. Um plano de leitura da Bíblia, bons hábitos de oração (Daniel orava três vezes ao dia), rotina devocional familiar, “a sós com Deus”, recolher pedidos de oração,  regularidade nos cultos públicos, participação num Pequeno Grupo e um diário de oração podem ajudar a atender o que deseja o nosso coração: uma vida de oração mais intensa. Possivelmente, o “estar juntos” com outros intercessores seja o fator que mais nos estimula à oração. “[…] levantaram juntos a voz a Deus” (Atos 4:24). “Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus” (Mateus 18:19).

Mesmo sendo crentes regulares, podemos fazer melhor. “E em meio a toda essa imensa apostasia, Deus levantou um homem; não uma comissão, nem uma nova denominação, nem um anjo, mas um homem, com sentimentos semelhantes aos nossos. Deus procurou entre eles um homem, não para pregar, mas para se colocar na brecha. E, como Abraão fizera antes, agora Elias estava na presença do Senhor. O resultado foi que tempos depois o Espírito Santo pôde escrever a história dele com apenas duas palavras: ‘E orou’. Isso é tudo que uma pessoa pode fazer para Deus e para a humanidade. Se a igreja hoje contasse com tantos intercessores quantos são seus conselheiros, teríamos um avivamento dentro de um ano.” (Porque tarda o avivamento. Leonard Ravenhill).

Juracy Carlos Bahia

A boa parte do isolamento

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Não somente os presidiários vivem presos. Muitas vezes vivemos em situação de prisão por conta de guerras, pandemias, perseguição, luto e, a mais comum, doenças ou precaução contra elas. Algumas pessoas escolhem, deliberadamente, uma vida de reclusão. Na fazenda, ficávamos isolados porque uma ponte caía; aqui na cidade, ficamos em home office por conta de um vírus. Filósofos argumentam que a vocação da alma é viver presa ao corpo.

Há um lado negativo do isolamento. Precisamos, entretanto, perceber o seu valor. O próprio descanso é, muitas vezes, uma experiência de isolamento, como o sono, a folga, o sabático. O isolamento é indispensável para o desabrochar da vida, como o silêncio o é para a música. Não é de se estranhar, portanto, que muitos rituais de iniciação incluam situações de isolamento.

Situações de prisão fazem parte da história humana, desde Adão, que se escondeu de Deus, e Caim, que foi expulso do convívio familiar. Jacó encontrou-se com Deus quando fugia do irmão; José, antes de se tornar o governador do Egito, estava ora numa cisterna, ora numa cadeia; Moisés passou 40 anos no deserto para, então, ver a sarça ardente; Elias foi encontrado por Deus numa caverna; Davi vivia fugindo dos irmãos ou de Saul, antes de se tornar o rei “segundo o coração de Deus”; e por aí vai. Jesus Cristo, ainda criança, teve que aprender a fugir e, quando adulto, regularmente escolhia a reclusão para orar. Não foi diferente com os primeiros cristãos. João, por exemplo, viveu exilado na Ilha de Patmos, e escreveu o Apocalipse. 

O apóstolo Paulo, uma vez convertido, teve a vida transformada, de alguém que encarcerava as pessoas para alguém que passou a maior parte da vida em situação de prisão, muitas vezes, literalmente. Além de doenças intermináveis, assumiu sua jornada de missionário, que, por si, é uma vocação de alguma reclusão.  Nos primeiros três anos, ficou na Arábia (Gálatas 1.17). Foi preso em Filipos, em Éfeso, em Jerusalém e, finalmente, em Roma, onde terminou a vida em prisão domiciliar. 

Dietrich Bonhoeffer, um pastor alemão que morreu na cadeia dos nazistas por conta de suas pregações, testemunhou: “No mais, leio e escrevo tanto quanto me é possível, e me conto por satisfeito de não ter sentido neste período de mais de 5 meses um só momento de tédio. O tempo sempre está preenchido, apesar de haver no fundo, desde a manhã até a noite, a espera” (Resistência e Submissão, Sinodal, p. 57). Bonhoeffer ficava escandalizado com a ideia de esquecer as lições aprendidas no isolamento e questionava se esta “memória perdida” não seria a causa para a ruína de todos, do amor, do matrimônio, da amizade e da lealdade (p. 106). Para ele, perdemos tempo apenas quando “não obtemos experiências, não aprendemos, não realizamos, nem desfrutamos nem sofremos nada” (p. 15).

O isolamento é precioso para a descoberta e o desenvolvimento de nossa identidade. Bem aproveitado, ele pode ajudar a responder “quem eu sou?”, e isso não tem preço. Posso desenvolver o meu caráter, receber treinamento e abraçar novos desafios. Enfim, não é tempo perdido se aprendo a viver e a servir melhor, se saio da caverna uma pessoa melhor, mais humilde, mais humano e cresço na arte de saber esperar. Em referência ao seu Evangelho, Paulo dizia: “Não o recebi de pessoa alguma nem me foi ele ensinado” (Gálatas 1:12), ou seja, ele o recebeu na leitura, reflexão e oração. 

Há vida no isolamento, se estou executando a minha missão de vida. Além dessa vocação de eterno adorador, cada um está neste mundo com um propósito, normalmente relacionado ao serviço. Posso ser forçado a fazer mil ajustes na rota, mas devo persistir na realização do que entendo ser uma ordem divina para mim. No caso dos cristãos, a ordem é explícita: cooperar para que o Evangelho seja anunciado a todos. Os discípulos sentem que, se estão obedecendo, tudo está bem.

Há vida no isolamento, se eu mantenho a adoração congregacional. A luta do Diabo em isolar as pessoas é, basicamente, uma tentativa de impedir a proclamação do Evangelho e o culto a Deus. Os discípulos sentem-se desafiados a não permitir que isso ocorra. Se não podem adorar no conforto de um templo, irão adorar onde puderem reunir dois ou três. Atos 16:25 registra: “Por volta da meia-noite, Paulo e Silas estavam orando e cantando hinos a Deus; os outros presos os ouviam”. Observe que eles tinham sido severamente açoitados e tinham os pés presos num tronco.

Por fim, há vida no isolamento quando percebemos a preciosidade da amizade de alguém que está, ou age como se estivesse, conosco em nossa “prisão”. O Senhor da história valorizou, como ninguém, essa amizade desenvolvida no isolamento, e fez dela o assunto para seu discurso final, quando este mundo de isolamentos chegar ao fim: “Quando preso ou doente, você esteve comigo. Agora, venha estar comigo nos céus”. Portanto, há vida no isolamento, se a boa parte está garantida depois dele.

Juracy Bahia

Beyond the Bible, Beyond the Sight

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Christians consider the Bible to be the Word of God, this does not mean that everything that God has left to us is written inside a book. “Jesus did many other things as well. If every one of them were written down, I suppose that even the whole world would not have room for the books that would be written” (John 21:25).  “Jesus performed many other miraculous signs in the presence of his disciples, which are not recorded in this book” (John 20:30). That is, much of what the disciples lived with Jesus is not recorded in the Bible. Imagine, then, everything that Christians have experienced in more than 2000 years; for example, how many words of encouragement Jesus’ disciples in the world minister on a single day. We were empowered to continue the works that Jesus started. At the same time, we become absolutely dependent, as a branch depends on the trunk of the tree in order to produce fruit, and this is not just about numbers, but also about personal experiences.

We are challenged to believe beyond what is already consolidated, to broaden our understanding, faith and works. The Lord warned Thomas because his faith was blocked. “Then Jesus told him, “Because you have seen me, you have believed; blessed are those who have not seen and yet have believed.” (John 20:29). We are often like a gas guzzler car. For me, one crumb of Jesus should be enough to believe. “Even the dogs eat the crumbs that fall from their master’s table. Then Jesus said to her, “Woman, you have great faith! Your request is granted” (Matthew 15: 27-28).

Nor will I worship God only for what is recorded in the Bible. There are many greatnesses of God to be discovered, reported and, for them, worship God. “Jesus did many other things.” And he continues to do it, in me, around me, in my time, in my Church. “The heavens declare the glory of God; the firmament proclaims the work of his hands” (Psalm 19:1). What Christ did is even greater than our imagination. “I want to work harder, seek more and better understand the Lord’s movements near me” (The good part, p. 243)

Our communion with Christ must be like an iceberg, most of which are not seen by men. Jesus is working on us 24 hours a day, seven days a week. Joarês Mendes Freitas once wrote:

All porcelain, upon receiving the painting, is taken to the oven and subjected to temperatures above 700 degrees to fix the images. The work can be repeated several times with a new layer of paint and more heat, until the desired quality and beauty is achieved. As children of God, we are in the middle of a process by which the image of Christ is being formed in us. …” The apostle continues in II Co 3.18: “We are being transformed according to his image with ever greater glory.”

It is true that some people do not even have enough Christian life for a good testimony, but we do not live only to witness. Being more than men can see is a conducting wire that runs through the whole teaching of Christ: “Enter your room, close the door”. Like an iceberg, a small part of my christian life needs to be seen, but my real life with God is far beyond sight.

Juracy Bahia

Além da Bíblia, além da vista

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Os cristãos consideram a Bíblia como a Palavra de Deus, mas isso não significa que tudo que provém de Deus está dentro de um livro. Jesus fez também muitas outras coisas. Se cada uma delas fosse escrita, penso que nem mesmo no mundo inteiro haveria espaço suficiente para os livros que seriam escritos” (João 21:25). “Jesus realizou na presença dos seus discípulos muitos outros sinais miraculosos, que não estão registrados neste livro” (João 20:30). Ou seja, muito do que os discípulos viveram com Jesus não está registrado na Bíblia. Então, imagine o que os cristãos experimentaram em mais de 2000 anos; por exemplo, quantas palavras de encorajamento os discípulos de Jesus no mundo ministram em um único dia. Fomos empoderados para continuar as obras que Jesus iniciou. Ao mesmo tempo, tornamo-nos absolutamente dependentes, como um galho depende do tronco da árvore, a fim de produzir frutos, e isso não se refere apenas a números, mas também a experiências pessoais. 

Somos desafiados a crer além do que já está consolidado, a ampliar nossa compreensão, fé e obras. O Senhor advertiu Tomé porque sua fé estava travada. “Então Jesus lhe disse: ‘Porque me viu, você creu? Felizes os que não viram e creram’” (João 20.29). Muitas vezes, somos carros beberrões que precisam de muito combustível para andar. Uma migalha de Jesus deveria ser suficiente para mim, ou preciso de muito para crer? “‘Sim, Senhor, mas até os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos’. Jesus respondeu: ‘Mulher, grande é a sua fé! Seja conforme você deseja’. E naquele mesmo instante a sua filha foi curada” (Mateus 15:27-28).

Também não vou adorar a Deus somente pelo que está registrado na Bíblia. Há muitas grandezas de Deus para serem descobertas, relatadas e, por elas, adorar o Criador. “Jesus fez também muitas outras coisas”. E continua a fazer, em mim, ao meu redor, no meu tempo, na minha Igreja. “Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos” (Salmo 19.1). O que Cristo fez é maior até mesmo que nossa imaginação. “Quero trabalhar mais, buscar mais e perceber melhor os movimentos do Senhor perto de mim” (A boa parte, p. 243)

Nossa comunhão com Cristo deve ser como um iceberg, a maior parte não é vista pelos homens. Jesus está trabalhando em nós 24 horas por dia, sete dias por semana. Joarês Mendes Freitas escreveu certa vez: 

Toda porcelana, ao receber a pintura, é levada ao forno e submetida a temperaturas acima de 700 graus para fixar as imagens. O trabalho pode ser repetido várias vezes com uma nova demão de tinta e mais calor, até se alcançar a qualidade e a beleza desejadas. Como filhos de Deus, estamos no meio de um processo pelo qual a imagem de Cristo está sendo formada em nós. … O apóstolo  continua em II Co 3.18: “Estamos sendo transformados segundo a sua imagem com glória cada vez maior.” 

Verdade que algumas pessoas sequer têm vida cristã suficiente para um bom testemunho, mas não vivemos apenas para testemunhar.  Ser mais que os homens conseguem ver é um fio condutor em todo o ensino do Cristo: “Entre em seu quarto, feche a porta”. Como um iceberg, uma pequena parte de minha vida cristã precisa ser vista, para que as pessoas creiam, mas a minha verdadeira vida com Deus está muito além da vista.

Juracy Bahia

The good part of isolation

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Not only do prisoners live in prison. We often live in prison because of wars, pandemics, persecution, mourning and, most commonly, illnesses or precautions against them. Some people deliberately choose a life of seclusion. On the farm, we were isolated because a bridge fell; here in the city, we work from home office because of a virus. Philosophers argue that the soul’s vocation is to live attached to the body.

There is a downside to isolation. However, we need to realize its value. Resting oneself is often an experience of isolation, like sleeping, resting, sabbatical. Isolation is indispensable for the unfolding of life, as silence is for music. It is not surprising, therefore, that many initiation rituals include situations of isolation.

Prison situations are part of human history, since Adam, who hid from God, and Cain, who was expelled from family life. Jacob met God when he ran away from his brother; Joseph, before becoming the governor of Egypt, was or in a cistern, or in a jail; Moses spent 40 years in the desert to see the burning bush; Elijah was found by God in a cave; David lived on the run from his brothers or from Saul, before he became the king “a man according to my heart”; and so on. Jesus Christ, as a young child, had to learn to flee and, as an adult, regularly chose seclusion to pray. It was not different from the early Christians. John, for example, lived in exile on the island of Patmos, and wrote the Apocalypse.

The apostle Paul, once converted, had his life transformed, from someone who imprisoned people to someone who spent most of his life in prison, often literally. In addition to endless illnesses, he began his missionary journey, which in itself is a vocation for some seclusion. For the first three years, he stayed in Arabia (Galatians 1:17). He was arrested in Philip, in Ephesus, in Jerusalem and, finally, in Rome, where he ended his life under house arrest.

Dietrich Bonhoeffer, a German pastor who died in jail for the Nazis because of his preaching, testified: “In addition, I read and write as much as possible, and I am glad that I have not felt in this period of more than 5 months a just a moment of boredom. Time is always full, despite the fact that, in the background, from morning to night, there is waiting “(Resistance and Submission, Synodal, p. 57). Bonhoeffer was scandalized by the idea of ​​forgetting the lessons learned in isolation, and questioned whether this “lost memory” is the cause for the ruin of everyone, of love, marriage, friendship and loyalty (p. 106 ). For him, we only waste time “we don’t get experiences, we don’t learn, we don’t perform, we enjoy or suffer anything” (p. 15).

Isolation is precious to discover and develop our identity. Well used, it can help answer “who am I?”, and that is priceless. I can develop my character, receive training and embrace new challenges. Anyway, it is not a waste of time if I learn to live and serve better, if I leave the cave as a better person, more humble, more human and I grow in the art of knowing how to wait. Paul  grew alone. He said: “I did not receive it from anyone, nor was it taught to me” (Galatians 1:12), that is, he received it in reading, reflection and prayer.

There is life in isolation, if I am carrying out my life mission. In addition to this vocation as an eternal worshiper, everyone is in this world with a purpose, usually related to service. I may be forced to make a thousand adjustments to the route, but I must persist in carrying out what I understand to be a divine order for me. In the case of Christians, the order is explicit: cooperate so that the Gospel is announced to everyone. The disciples feel that if they are obeying, all is well.

There is life in isolation if I keep congregational worship. The Devil’s struggle to isolate people is basically an attempt to prevent the proclamation of the Gospel and the worship of God. The disciples are challenged not to allow this to happen. If you cannot worship in the comfort of a temple, you will worship where you can gather two or three. Acts 16:25 records: “Around midnight, Paul and Silas were praying and singing hymns to God; the other prisoners listened to them ”. Note that they had been severely flogged and their feet were stuck in a log.

Finally, there is life in isolation when we realize the preciousness of the friendship of someone who is or acts as if he were with us in our “prison”. The Lord of history valued, like no one else, this friendship developed in isolation, and made it the subject for his final speech, when this world of isolation comes to an end: “When imprisoned or sick, you were with me. Now, come and be with me in heaven”. Therefore, there is life in isolation if the good part is guaranteed after it.

Juracy Carlos Bahia

If I love Jesus …

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In 2017 I discovered John 21. Jesus, risen, meets the disciples and, in on special way, Peter, to whom he asked three times, “Peter, do you love me?”. I realized, at this end of the Gospel of John, a pattern, the 5 Cs: Jesus calls, congregates, confronts, commissions and comforts us. I learned about the importance of coping with the negative past (guilt, mistakes, failures), to trust that the next steps can be better (and bigger) and, also, about the immeasurable God’s love.

We all affirm, like Peter, that we love Jesus. Is it true? If I love Jesus, I pay attention to what He is talking about. When he asked three times, it sounds like “are you listening to me?” Isn’t it amazing that some people change their lives entirely when listening to a single sermon, while others listen to sermons their whole lives and change nothing? As Virgínia Brasier said, we are “a generation of the half-read page”. We may be constrained, but Christ wants to know if we are focused on him and on his words. And that is also love, grace and didactic. He insists on what is important to him, to us or to our relationship with him.

If I love Jesus, I invest in a relationship beyond basic needs. Peter’s meeting with Jesus was “after the meal”, that is, after resolving the tiredness, the hunger and the feeling of failure, of a fruitless night, Jesus calls Peter for something greater. It seems easier to seek God in need. Eugene Peterson said that “the most religious places in the world, to tell you the truth, are not churches, but battlefields and mental hospitals”. Many relationships with Jesus Christ are built on the basis of desires, worse, instantaneous desires: “You follow me because you want to eat it all,” complained Jesus once. Our love is often of convenience. It is sad to see that some people turn away from Jesus as they prosper, precisely because they were blessed by him. To a trained and confirmed Peter, Jesus said “follow me”, indicating that the resurrection was not the end of discipleship, but, in some way, the beginning. In fact, as I say in the book The good part (A boa parte), if the resurrection was the end of a process of revelation from God to men, he probably would have chosen a Saturday, the last day of the week, and not a Sunday to be resurrected. A few chapters earlier, John highlights other words of Jesus: “Whoever has my commandments and obeys them, he is the one who loves me. He who loves me will be loved by my Father, and I will also love him and reveal myself to him” ( 14:21)

If I love Jesus, I worship him. It is certain that Jesus is leading Peter to affirm and reaffirm his love. This is worship. A Taliban leader once said in Afghanistan: “Jihad is an act of worship. Worship is something that, no matter how much you do, you can’t get tired.” Of course, we do not agree to kill people in the name of God, but we agree that there is no love without concrete expressions of worship. This story that I love Jesus, but do not worship him, does not convince anyone, least of all Jesus, who, as Peter reminded, knows everything, “you know that I love you”. And where do we worship Jesus? Everywhere, but Jesus had the Church on his mind when he talked with Peter.


If I love Jesus, I obey him, I do what he says. Not only do I sing praises voluntarily, I also do what he says, if I want to or not. Three times “love me?”, but also three times “take care of my sheep”. If I love Jesus, I will work for him, I will put the Church and the Kingdom as a priority. Notice that Jesus had three opportunities to make different recommendations to Peter and used all three to ask him to look after the Church, while Peter had vitality, strength. As Jesus said before, “Whoever has my commandments and obeys them, he is the one who loves me” ( 14:21).

Juracy Bahia

Audio in English, by Elis Duarte:

If I love Jesus … (Juracy Bahia. Audio: Elis Duarte)

Se eu amo a Jesus…

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Em 2017 eu “descobri” João 21. Jesus ressuscitado encontra com seus discípulos e, de um modo especial, com Pedro, perguntado três vezes, “Pedro, você me ama?”. Percebi neste final do Evangelho de João um padrão, os 5 Cs: Jesus chama, congrega, confronta, comissiona e conforta. Aprendi sobre a importância de lidar bem com o passado negativo (culpa, erros, fracassos), a confiar que a próxima etapa pode ser melhor (e maior) “apascenta minhas ovelhas” e, ainda, sobre o extravagante amor de Deus.

Todos afirmamos, como Pedro, que amamos a Jesus. Será verdade? Se eu amo a Jesus, eu presto atenção ao que Ele está falando. Ao perguntar três vezes, soa-me como “você está me ouvindo?”.  Não é impressionante que algumas pessoas mudam inteiramente a vida a partir de um único sermão, enquanto outras ouvem sermões a vida inteira e nada mudam? Como disse Virgínia Brasier,  somos “uma geração da página lida pela metade”. Podemos ficar constrangidos, mas Cristo quer saber se estamos concentrados nele e em suas palavras. E isso é também amor, graça e didática. Ele insiste conosco naquilo que é importante para ele, para nós ou para a nossa relação com ele.

Se eu amo a Jesus, eu invisto num relacionamento além das necessidades básicas. O texto que fala do gabinete de Jesus com Pedro começa assim: “Depois da refeição…”, ou seja, depois de resolver o cansaço, a fome e o sentimento de fracasso, de uma noite infrutífera, Jesus chama Pedro para algo maior.  Parece mais fácil buscar a Deus nas necessidades. Eugene Peterson disse que “os lugares mais religiosos do mundo, para dizer a verdade, não são as igrejas, e sim os campos de batalha e hospitais mentais”. Muitos relacionamentos com Jesus Cristo são construídos na base de desejos e, pior, de desejos instantâneos: “Vocês me seguem porque querem encher a barriga”, reclamou Jesus certa vez. Nosso amor, muitas vezes, é de conveniência.  É triste perceber que algumas pessoas se afastam de Jesus na proporção em que prosperam, exatamente porque foram por ele abençoadas. A um Pedro formado e confirmado, Jesus disse “segue-me”, indicando que a ressurreição não era o fim do discipulado, mas, de alguma forma, o início. Aliás, como digo no livro A boa parte, se a ressurreição foi o fechamento de um processo de revelação de Deus aos homens, provavelmente ele teria escolhido um sábado, último dia da semana, e não um domingo para ressuscitar. Alguns capítulos antes, João destaca outras palavras de Jesus: “Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama. Aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me revelarei a ele” (14:21).

Se eu amo a Jesus, presto-lhe culto. É certo que Jesus está conduzindo Pedro a afirmar e a reafirmar seu amor. Isso é adoração. Um líder Talibã disse certa vez no Afeganistão: “Jihad é um ato de adoração. Adoração é algo de que, por mais que você faça, você não se cansa”. Claro que não concordamos em matar pessoas em nome de Deus, mas concordamos que não existe amor sem expressões concretas. Esta história de que eu amo a Jesus, mas não lhe presto culto não convence a ninguém, muito menos ao próprio Jesus que, como lembrou Pedro, tudo sabe, “tu sabes que eu te amo”. E onde adoramos a Jesus? Em todo o lugar, mas o que Jesus tinha em mente naquela conversa com Pedro era a sua Igreja.

Se eu amo Jesus, eu obedeço, eu faço o que ele ordena. Não apenas canto louvores voluntariamente, eu também faço o que ele manda, querendo ou não . Três vezes “amas-me?”, mas, também, três vezes “cuide de minhas ovelhas”. Alguns capítulos antes, João destaca outras palavras de Jesus: “Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama. Aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me revelarei a ele” (14:21). Se eu amo Jesus, eu vou trabalhar para ele, vou colocar a Igreja e o Reino como prioridade. Observe que Jesus teve três oportunidades para fazer recomendações diferentes a Pedro e usou as três para pedir que cuidasse da Igreja, enquanto Pedro tinha vitalidade, forças. Como Jesus já tinha dito: “Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama” (14:21).

Juracy Bahia

Ouça o sermão que originou este post: https://youtu.be/5SaeFqOZGT0

As nossas três casas

(Este post está no contexto de “A Plenitude”, quarto capítulo do livro A boa parte)

Foto do livro A boa parte. Permitida a reprodução citando a fonte..

As três dimensões da vida – esforço, devocional e milagre – têm três casas. No Antigo Testamento, elas são ilustradas pelo Sábado, o Templo e o Monte. Profanar o sábado equivale a desrespeitar o descanso ordenado por Deus, violentar as leis que regem nossa rotina de esforço ou trabalho. O Templo lembrava o devocional, a casa dos sacerdotes e escribas, o lugar de oração, o ponto de encontro de Deus com os homens. O monte representava a intervenção de Deus, do milagre onde, por exemplo, Moisés percebia a glória de Deus e recebeu dele as tábuas da Lei.

No Novo Testamento, essas casas são melhor representadas por Corpo, Igreja e Céu. O apóstolo Paulo explorou bastante a figura do corpo: “Portanto, irmãos, pelas misericórdias de Deus, peço que ofereçam o seu corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Este é o culto racional de vocês” (Romanos 12:1 AAR). Já o Templo é quase sempre substituído pelo conceito de Igreja, e o Monte cedeu lugar à imagem de Céu, muito explorada, por exemplo, em Apocalipse. 

O valor dessas três “casas” já foi um grande debate teológico. Alguns púlpitos enfatizaram que o importante é garantir a salvação da alma, no céu; outros destacavam a justiça social, neste mundo, e ainda outros o equilíbrio das três. Como destaquei no livro A boa parte, Jesus ama a Marta, ama a Maria e ama a Lázaro, que ilustram essas três dimensões.

Nazaré lembra que Jesus é filho do homem, como Belém que ele é Filho de Davi e Jerusalém,  cidade santa e casa de paz, celebra o Filho de Deus. Jesus vivia plenamente o corpo, a igreja e o céu, mas teve que abrir mão de sua primeira casa em favor dos homens. Belém, casa de pão, onde nasceu, ou Nazaré, onde viveu até iniciar o seu ministério público, e onde enfrentou muitas lutas, tiveram que ser deixadas para trás quando iniciou seu ministério em Cafarnaum. Depois, teve que deixar Cafarnaum e seguir para Jerusalém. Esta renúncia ficou clara quando disse: “as raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça” (Lucas 9:58). Ele não se referia à Igreja, muito menos ao Céu, mas à casa terrena. Sim, habitamos as três casas, mas precisamos nos preparar para a mudança. 

Jesus cuida do corpo, cura enfermidades, aceita o perfume derramado que traz conforto, cuidava de dormir, de alimentar-se, e ainda saciava a fome dos outros. Cuidou até de construir uma casa de amigos em Betânia, um oásis para dias trabalhosos.

Aos sábados, ia às sinagogas, como era seu costume. E foi numa destas rotinas que expulsou os ladrões da segunda casa, invocando Isaías 56: “A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos”, muito diferente de alguns sermões de hoje que desvalorizam o Templo, empobrecendo o seu conceito, como se fosse apenas tijolos e pedras. O conceito de Templo é muito mais amplo; é encontro da congregação, assembleia solene, Igreja reunida, ministério, discipulado, pregação, ensino, casa de oração e, até, casa de Deus (1 Timóteo 3.15).

Jesus habita o terreno e o devocional e, também, o eterno. “Vocês erram porque não conhecem as Escrituras, nem o poder de Deus”, disse Jesus a quem questionou a existência de nossa terceira casa (os saduceus não acreditavam na ressurreição – Marcos 12.24). Afinal, disse Jesus, o Deus do antepassado Abraão é Deus dos vivos, ou seja, o céu era uma realidade e estava interferindo na rotina de Jesus. 

Essas três casas são, todas, propriedade e habitação dos homens e de Deus e, portanto, terrenas e eternas: “Meus sábados”, “Minha casa de oração”, “Meu Monte Santo”. Antes que você me questione sobre a morte do corpo, preciso lembrar que ele será ressuscitado. 

Na casa que chamamos “nossa” ele espera ser convidado e chamá-la de templo do seu Espírito. Na casa que chamamos “dele”, seremos seus convidados. Na casa que chamamos “assembleia dos santos”, ele a chama de “minha igreja”. Sim, na graça todos nos sentimos em casa, mesmo sendo hóspedes.

Juracy Bahia

Banimento do Twitter do Trump

Depois que postei o vídeo sobre o banimento do Twitter do Trump, recebi vários comentários de amigos e novas informações vieram à tona. Então, resolvi escrever este post, como um complemento ao vídeo. Aproveito para pedir que se inscreva no meu novo canal no Youtube.

Uma ressalva: o púlpito da Igreja, a sala de aula ou um jornal são ambientes de comunicação e seus líderes decidem qual discurso pode ou não pode ser proferido, conforme a filosofia ou confissão da instituição. O  Twitter, o Youtube etc são, entretanto, plataformas de transmissão de comunicação, com o agravante que estão muito próximas de, juntos, formarem um monopólio da comunicação. Se elas decidirem que alguém não será ouvido, ficamos próximos da profecia sobre a besta do apocalipse, cuja “bênção” será necessária para comprar ou vender. Queremos mesmo dar a elas o poder de dizer o que pode e que não pode ser transmitido? Poderão definir que o aborto é aceitável, mas falar contra o homossexualismo é estímulo à violência.  Depois que gravei o vídeo sobre o banimento da conta do Trump, o CEO do Twitter, Jack Dorsey, questionou a própria decisão: “Foi um precedente perigoso…Tomamos uma decisão com as melhores informações que tínhamos…Isto estava correto?” Uma coisa ficou clara: a direção do Twitter tem uma visão estratégica mundial, longe de ser apenas um prestador de serviços.

Ainda não estamos vendo a liberdade de expressão totalmente restrita e todos concordamos sobre a importância de regras de moderação, inclusive no mundo virtual. Eu poderia aceitar essa censura feita ao Trump, ou aceitar o assassinato da Mariele como um assassinato entre outros, não fosse o medo de representarem as unhas de um terrível monstro escondido atrás da moita. A interpretação de que a liberdade de expressão termina onde esta expressão incita a violência parece razoável, mas quem vai julgar isso? Vamos delegar esse poder aos donos das empresas de transmissão de conteúdo? Ou a alguns líderes, conforme a conveniência política deles?

Não se deve flertar com o risco à liberdade. Você acha mesmo que não há uma ameaça? Meus ouvidos preferem conviver com bobagens, e até ofensas, que conviver com o silêncio total, com o medo de falar. E observe, as maiores ofensas não são “vamos fechar o capitólio na marra”; as maiores ofensas são as heresias teológicas, mas não quero nem que hereges sejam calados pela força.

Como sabem, escrevi um livro/roteiro para A boa parte, que só pode ser encontrada no exercício da liberdade. Não se encontra A boa parte com gente tendo que engolir o que pensa, na marra. Calar as pessoas das quais discordamos não é natural no reino da boa parte. Vejo este reino, sim, estimulando seus discípulos a falarem mais, a serem sal e luz no mundo escuro, sem o uso da força.

E não é arrogância eu determinar que a leitura da realidade do outro está tão errada que ele tenha que ser calado? Como ser humano, Trump não é pior ou melhor que a Mariele. Ambos são terríveis pecadores e ambos são amados por Deus. Admito, entretanto, que aquele que está ferindo o outro, literalmente, precisa ser contido fisicamente, mas quem ferir o outro com palavras precisa ser contido com argumentos, com educação dos ouvintes dele, com o voto popular e com a força do meu testemunho.

Juracy Bahia

Alegria da Gratidão

Imagem de Internet

Em outro post, destaquei as alegrias da conquista, da dádiva e do Espírito. Hoje quero falar da gratidão e do que acontece quando ela se encontra com a alegria. Educamos nossos filhos para serem agradecidos, para abandonarem o egoísmo e amadurecerem. Sim, gratidão é algo que se pode aprender. Bonhoeffer, um pastor que foi executado por conta de seus conceitos, disse que, em tempos de dificuldade e dependência, aprendemos a ser gratos. E isso não depende, necessariamente, da fé,  porque está em nossa configuração e pode ser desenvolvido. Não ser grato é uma distorção. A gratidão é um lado lindo do ser humano. 

Quando esse lado bom do homem encontra o Deus bondoso, quando acontece um encontro de Deus com o que recebemos dele, então ocorre uma “fusão nuclear”, surge a alegria da gratidão. No Evangelho de Lucas, lemos que o Senhor “exultou no Espírito” (Lucas 10.21). Essa expressão trata de algo além da alegria ou da gratidão naturais. O texto de Lucas, e cerca de uma dúzia de outros no Novo Testamento, relatam que essa alegria é incontida, é indizível. 

Em seguida, o Senhor destaca: “tudo recebi do Pai” e, ainda, “vejam como vocês são felizes pelo que receberam” (Lucas 10.22-24). Uma vez tomado pela Alegria, o Senhor disse “Graças te dou, Pai”. Observe que a gratidão gera alegria e, juntas, explodem em resposta. O “obrigado” que usamos em português quer dizer “eu estou obrigado a corresponder”. Ser grato e não responder é ofensivo, assim como oferecer sem estar grato é hipocrisia. 

Apocalipse usa a imagem da chegada da noiva ao altar para comunicar a ideia de uma explosão de alegria: “Então ouvi algo semelhante ao som de uma grande multidão, como o estrondo de muitas águas e fortes trovões, que bradava: “Aleluia! pois reina o Senhor, o nosso Deus, o Todo-poderoso. Regozijemo-nos! Vamos nos alegrar e dar-lhe glória! Pois chegou a hora do casamento do Cordeiro, e a sua noiva já se aprontou” (Apocalipse 19:6,7)

Como numa explosão, o encontro da alegria com a gratidão sempre produz e lança energia. O Carnaval, por exemplo, é conhecido como uma explosão de alegria, mas sem, necessariamente, um compromisso. Já a alegria da gratidão envolve um compromisso voluntário e altruísta. Quando o homem natural é restaurado, ele volta para agradecer, necessária e regularmente. Como homem perfeito, o Senhor Jesus entendia que deveria ir ao Templo semanalmente para agradecer ao Pai. Por isso, encontrar a Alegria de braços abertos e não corresponder é o pecado sem perdão. E quando esta alegria da gratidão é direcionada a Deus, temos a verdadeira adoração. O culto é uma resposta nossa a um Deus galardoador.

Juracy Bahia